21/01/2004

Pragas secundárias preocupam sojicultores


 Pragas secundárias preocupam sojicultores na safra 2003/2004

Lagarta falsa-medideira - Pseudoplusia includens

 

A lagarta falsa medideira habitualmente é uma praga secundária em soja, controlada normalmente por parasitóides e fungos entomopatogênicos (doença branca e outras).  Entretanto, nesta safra surtos foram constatados em vários estados (MS, SP e PR).  Provavelmente, as condições de umidade nesses locais desfavoreceram a incidência de inimigos naturais com conseqüente aumento de população da praga, cujo controle é mais difícil que o da lagarta da soja.
O ataque da lagarta falsa-medideira  deixa as folhas com aspecto rendilhado, pois  a lagarta não consome as nervuras. 
O controle químico dessa lagarta, ocorrendo sozinha ou associada à lagarta-da-soja, deve ser feito quando forem encontradas, em média, 40 lagartas grandes por pano-de-batida, ou se a desfolha atingir 30% antes da fase do florescimento, ou 15%, tão logo apareçam as primeiras vagens.
A Embrapa Soja recebeu várias informações de que em algumas regiões os produtos recomendados para seu controle  não tem sido eficientes.
Em outros países tem sido constatado o desenvolvimento de resistência dessa praga a inseticidas, principalmente piretróides, mas no Brasil ainda não existem registros desse fenômeno.
Mais informações sobre o controle, doses e produtos recomendados estão disponíveis na publicação Tecnologia de Produção de Soja - 2004.

Algumas características da praga:

 

 

O adulto apresenta a coloração marrom acinzentado, com duas manchas prateadas no primeiro par de asas; em repouso, as asas da mariposa formam um angulo de aproximadamente 90 graus. O acasalamento ocorre no período entre 22 e 04h e os ovos são depositados individualmente, a maioria na face inferir das folhas. Cada fêmea é capaz de depositar mais de 600 ovos, durante o seu período de vida (cerca de 15 dias).
A lagarta apresenta coloração verde-clara, com algumas linhas longitudinais esbranquiçadas no dorso. Possui apenas dois pares de patas abdominais, o que faz com que se movimente arqueando o corpo, comumente denominado de movimento “mede palmo”. A parte posterior do corpo é mais abaulada que a anterior.
O ciclo da falsa medideira pode durar cerca de 15 dias e, durante esse período, ela pode consumir até 200cm² de área foliar da soja. Na fase de pupa, de cor verde, o inseto forma uma teia sob as folhas de soja, dobrando-as. Nesse local, a pupa permanece até a emergência do adulto.

Fonte: Equipe de Entomologia (texto preparado sob supervisão dos pesquisadores Daniel R. Sosa-Gomez e Lenita J. Oliveira)

 

ÁCAROS

 

Os ácaros são considerados pragas secundárias em soja. Em alguns anos, são observados surtos de ácaros,  principalmente do ácaro  branco e do ácaro rajado, em lavouras de soja, mas raramente chegam a causar prejuízos econômicos. Nesta safra, no mês de janeiro, vários focos tem sido relatados em algumas regiões do Paraná e sudoeste de São Paulo. A maioria dos casos tem ocorrido em áreas onde haviam sido feitas aplicações de inseticidas piretróides ou próximas a áreas cultivadas com outros hospedeiros de ácaros, como algodão, café, plantas hortícolas etc. Esses artrópodes sugam a seiva  das folhas e pecíolos de plantas novas e, com a evolução do dano, as folhas ficam amarelas. Se o ataque for muito intenso, as folhas podem cair e, deste modo, diminui a capacidade fotossintética das plantas. A soja suporta até 30% de desfolha, antes da floração, e 15% a partir do aparecimento das primeiras flores.
Os ácaros são artrópodes da mesma classe da aranhas (Arachnida), apresentando quatro pares de patas e cabeça e tórax fundidos (cefalotórax). As espécies que ocorrem em soja são diminutas, medindo menos de 1mm de comprimento, e, portanto, sua visualização, a campo, deve ser feita com auxílio de uma lupa, procurando-se por colônias, especialmente na parte inferior da folha. Entretanto, é muito comum que os sintomas mais visíveis de seu ataque só sejam percebidos quando os ácaros já deixaram as folhas. O controle do ácaro rajado é mais difícil pois este desenvolve rapidamente resistência aos produtos químicos, já as outras espécies, em geral, são  controladas por inseticidas aplicados para controle de outras pragas na cultura.
Geralmente, os ácaros ocorrem em reboleiras, formando manchas de plantas com sintomas localizadas em vários pontos da lavoura e, assim, quando necessário, o seu controle pode ser feito só nestas reboleiras, sem necessidade de pulverizar toda a lavoura. O ácaro rajado é mais difícil de ser controlado, pois desenvolve resistência aos produtos químicos mais rapidamente, enquanto o ácaro branco e o ácaro vermelho normalmente são controlados por inseticidas aplicados para controle de outras pragas na cultura.
Confira algumas características e sintomas dos três tipos de ácaros que podem ocorrer em soja:

Ácaro branco- Polyphagotarsonemus latus

- Medem cerca de 0,14 a 0,17mm de comprimento
- A fêmea tem coloração branca à amarelada-brilhante
- Não tecem teias
- O ataque se dá nas folhas mais novas, ocorrendo inicialmente um escurecimento. O dano pode evoluir para folíolos com aspecto brilhante e bronzeado na face inferior da folha, enrolamento dos bordos das folhas para baixo  e  rasgaduras; quando este sintoma se manifesta, em geral, os ácaros não estão mais presentes nos folíolos.
- Pode atacar também os ponteiros  da soja
- Ataques  intensos  causam  a   seca e queda das folhas 
- É favorecido por temperatura e umidade elevadas

Ácaro vermelho -Tetranychus ludeni,  Tetranychus desertorum
- Medem cerca  de 0,26 a 0,5mm de comprimento
- As fêmeas são de cor vermelha intensa;  já os machos e as formas jovens são amarelo-esverdeados
- Ovos amarelados ou  vermelho-opacos
- Formam colônias densas na página inferior das folhas (preferência pelos folíolos do ponteiro ou da região mediana)
- As folhas ficam amareladas e caem prematuramente
- T. ludeni: predominam no início da cultura, até janeiro
- T. desertorum: maior incidência a partir de janeiro

Ácaro rajado -Tetranychus urticae
- Medem entre 0,25 a 0,46 mm comprimento
- Todas as fases ativas são esverdeadas e as fêmeas apresentam  manchas verde escuras no dorso
- Formam compactas colônias na parte inferior dos folíolos, que recobrem com teias
- Sugam a seiva, principalmente da face inferior das folhas novas e têm preferencia pela região mediana da planta.
- Folíolos atacados ficam inicialmente amarelos e posteriormente apresentam manchas branco-prateadas, na face inferior, e áreas cloróticas, ou com aspecto bronzeado (avermelhado) na face superior
- Ataques intensos causam a seca e  queda de  folhas
- Temperaturas elevadas e baixas precipitações favorecem o seu aumento populacional

Fonte: Equipe de Entomologia (texto preparado sob supervisão dos pesquisadores: Lenita J. Oliveira, Clara B. Hoffmann-Campo, Ivan C. Corso e Décio L. Gazzoni).