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História do trigo no Brasil 

No Brasil, há relatos que o cultivo do trigo tenha se iniciado em 1534, na antiga Capitania de São Vicente. A partir de 1940, a cultura começa a se expandir comercialmente no Rio Grande do Sul. Nessa época, colonos do Sul do Paraná plantavam sementes de trigo trazidas da Europa em solos relativamente pobres, onde as cultivares de porte alto, tolerantes ao alumínio tóxico, apresentavam melhor adaptação.

A partir de 1969/70, o trigo expandiu- se para as áreas de solos mais férteis do norte/oeste do Paraná e, em 1979, o Estado assumiu a liderança na produção de trigo no Brasil. A maior área semeada e a maior produção foram registradas em 1986/87 quando, em uma área de 3.456 mil ha, o Brasil produziu 6 milhões de toneladas de trigo. Naquela safra, o Paraná produziu 3. Milhões de toneladas de trigo e a produtividade alcançou 1.894 kg/ha.

A expansão da área de trigo no Paraná ocorreu numa época em que também se destinavam maiores recursos para a pesquisa agrícola no Brasil. Como resultado, se observou um aumento simultâneo da área e da produtividade do trigo. Enquanto que a produtividade média do trigo no Brasil, no período de 1970 a 1984, foi de 1.139 kg/ha, no período de 1995 a 2003, ela se situou acima dos 1.500 kg/ha. Atualmente, algumas cooperativas têm obtido, em anos sucessivos, médias superiores a 2.500 kg/ha. Produtividades de trigo superiores a 5.000 kg/ha, são relatadas com frequência, em lavouras bem cuidadas.

A contribuição da pesquisa no Paraná

No Norte do Paraná, as primeiras lavouras implantadas com cultivares de porte alto, desenvolvidas no RS, apresentavam elevados níveis de perdas por acamamento. Este problema foi contornado com a introdução de cultivares desenvolvidas pelo CIMMYT- no México. No entanto, estas cultivares apresentavam também alguns defeitos, principalmente suscetibilidade às doenças que causam necrose parcial ou total das folhas e denominadas de manchas foliares, bem como, à giberela e ao alumínio tóxico no solo.

A adaptação do trigo para as condições de clima e solo do Paraná está sendo realizada, pela soma de fatores genéticos e culturais. Ao se combinar as características de resistência às ferrugens, porte baixo, palha forte, elevado potencial de rendimento, insensibilidade ao fotoperíodo e qualidade panificativa das cultivares mexicanas com a resistência às doenças de espiga e tolerância ao alumínio das cultivares nacionais, foi possível desenvolver novos genótipos cuja adaptação às condições do Paraná é superior à dos progenitores brasileiros ou mexicanos.

Ao longo das duas últimas décadas, a pesquisa tem aprimorado outras tecnologias, tais como, como rotação de culturas, manejo adequado do solo, controle integrado de pragas, controle químico de doenças e zoneamento agroclimático que dão suporte à produção de trigo, minimizando os riscos de perdas.

Ironicamente, o aumento do potencial produtivo e a diminuição dos riscos de perdas, proporcionados pelas cultivares melhor adaptadas e pelo controle de doenças e pragas, via manejo da cultura e utilização de fungicidas eficientes, não têm sido suficientes para sustentar o aumento da produção. Nos últimos anos, tem-se observado um contínuo declínio da área cultivada, devido, principalmente, aos maiores custos de produção, quando comparados aos da Argentina. Sabe-se que a Argentina, devido às privilegiadas condições de solo e clima, consegue produzir trigo com custos extremamente baixos. Amparada pelos acordos do Mercosul, consegue exportar o cereal a preços inferiores aos custos de produção do trigo brasileiro. Para fazer frente a esses desafios, há necessidade de buscar sempre maior eficiência, visando o aumento da produtividade sem acréscimos significativos nos custos de produção.

 

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