Adicionalmente
às informações publicadas pelo Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sobre as cultivares
inscritas no Zoneamento Agrícola de cada Unidade da Federação,
considera-se oportuna a divulgação das cultivares de soja
indicadas para cultivo no Estado do Paraná através desta
publicação com o propósito de atingir melhor os
técnicos e os empresários do setor produtivo. Ressalva-se,
entretanto, que as tabelas a seguir podem não contemplar todas
as cultivares inscritas no Registro Nacional de Cultivares, pela razão
de seus detentores não terem eventualmente descrito todas elas
nas reuniões de pesquisa, quanto às características
morfológicas e fisiológicas e de produtividade. Ressalva-se,
também, que por razões de espaço não são
fornecidas nesta publicação as características
individuais de cada cultivar. Essas informações devem
ser procuradas junto aos obtentores.
Cultivares melhoradas portadoras de genes capazes de expressar alta
produtividade, ampla adaptação e boa resistência/tolerância
a fatores bióticos ou abióticos adversos representam usualmente
a contribuição mais significativa à eficiência
do setor produtivo. O desenvolvimento de cultivares de soja com adaptação
às condições edafo-climáticas às
principais regiões do Paraná vem sendo realizado pela
Embrapa Soja em parceria com outras instituições públicas
e privadas.
Os parentais para cruzamento e/ou retrocruzamento (obtenção
de variabilidade genética para exploração no programa
de melhoramento) são selecionados com base nas regiões
brasileiras alvo do programa e nos objetivos: produtividade, adaptação
e resistência/tolerância a doenças e pragas e outras
características específicas. As populações
resultantes dos cruzamentos/retrocruzamentos são conduzidas preferencialmente
pelo método massal (“bulk”) ou pelo método da descendência
por semente única tradicional ou modificada. A geração
F1 é multiplicada em casa-de-vegetação e as gerações
subseqüentes em campo experimental. Agilidade no avanço
das gerações - para aumento de homozigose - é fundamental
para garantir rapidez na obtenção de cultivares em resposta
às demandas do setor produtivo. Nessa fase, são realizados
vários testes visando selecionar contra as principais doenças
e pragas (mancha olho-de-rã, cancro-da-haste, nematóides
de cisto e de galhas, insetos, ferrugem, etc.). O avanço de geração
é realizado normalmente até a geração F5,
quando coleta-se plantas para formação e teste de progênies
e seleção de linhagens para composição dos
testes de avaliação de produtividade e adaptação.
Esses testes são realizados em vários locais do Paraná
por um período de cinco anos, em experimentos denominados Ensaios
de Avaliação Preliminar de 1o ano (API), de 2o ano (APII)
e 3o ano (APIII) e Ensaios de Avaliação Final (AF - 2
anos). Os ensaios são realizados por grupo de maturação:
precoce - até 115 dias; semiprecoce - 116 a 125 dias; médio
- 126 a 135 dias; semitardio 136 a 145 dias. Os delineamentos experimentais
são Blocos Aumentados no PI e Blocos Completos Casualizados com
4 repetições nas demais etapas. As parcelas são
de 4 fileiras de 5 metros (10 m2 totais; 4 m2 úteis) e os números
mínimos de locais por região variam com o experimento:
API - 3 locais; APII - 4 locais; APIII - 5 locais; AF - mínimo
de 5 locais. As linhagens selecionadas em função do potencial
produtivo, estabilidade e características agronômicas superiores
às das cultivares padrões serão disponibilizadas
como cultivares.
A indicação para cultivo é formalizada após
registro das cultivares no Serviço Nacional de Proteção
de Cultivares - SNPC do Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento - MAPA. O registro é feito utilizando as informações
de Valor de Cultivo e Uso - VCU das novas cultivares, obtido com os
dados de produtividade, adaptação, ciclo de maturação
e altura de planta dos ensaios, e possibilita o início da produção
de sementes para fins comerciais. Para serem protegidas as novas cultivares
necessitam passar pelo teste de distingüibilidade, homogeneidade
e estabilidade - DHE, realizado por dois anos, normalmente utilizando
uma amostra de 300 plantas coletadas durante a fase de produção
de semente genética. Esse teste assegura, como o próprio
nome indica, que a nova cultivar é diferente das demais disponíveis
e apresenta homogeneidade e estabilidade na expressão suas das
características
Nos últimos anos, atendendo à demanda por produtos com
maior valor agregado, têm sido lançadas no Brasil cultivares
de soja com características especiais para o consumo in natura
e para a indústria de alimentos. Para essa linha de produtos,
são consideradas diversas características tais como: sementes
graúdas com alto teor de proteína, coloração
clara do hilo e que conferem boa qualidade organoléptica aos
produtos de soja (QO); ausência das enzimas lipoxigenases (AL),
conferindo sabor mais suave aos produtos de soja; teor reduzido do inibidor
de tripsina Kunitz (KR), o que permite a redução de tratamento
térmico e dos custos de processamento; e tamanho, coloração
e textura de sementes ideais para produção de “natto”
(PN - alimento fermentado japonês). Dentre as cultivares desenvolvidas
para esse fim e que apresentam algumas das características citadas,
destacam-se: BR-36 (QO), BRS 155 (KR), BRS 213 (AL), BRS 216 (PN), IAC
PL-1 (QO), UFVTN 101 (AL), UFVTN 102 (AL), UFVTN 103 (AL), UFVTN 104
(AL), UFVTN 105 (AL), UFVTNK 106 (AL, KR).
A Tabela 5.01 apresenta as cultivares
por grupo de maturação visando facilitar a tomada de decisão
dos usuários quanto às épocas de semeadura, diversificação
de ciclos nas lavouras da propriedade e sistemas de sucessão/rotação
com outras culturas. Os poucos casos de cultivares não constantes
da última lista do registro nacional, publicada em 01 de setembro
de 2003, são informados em nota de rodapé das tabelas.