1.1.
Exigências hídricas
A
água constitui aproximadamente 90% do peso da planta, atuando
em, praticamente, todos os processos fisiológicos e bioquímicos.
Desempenha a função de solvente, através do qual
gases, minerais e outros solutos entram nas células e movem-se
pela planta. Tem, ainda, papel importante na regulação
térmica da planta, agindo tanto no resfriamento como na manutenção
e distribuição do calor.
A disponibilidade de água é importante, principalmente,
em dois períodos de desenvolvimento da soja: germinação-emergência
e floração- enchimento de grãos. Durante o primeiro
período, tanto o excesso quanto o déficit de água
são prejudiciais à obtenção de uma boa uniformidade
na população de plantas. A semente de soja necessita absorver,
no mínimo, 50% de seu peso em água para assegurar boa
germinação. Nessa fase, o conteúdo de água
no solo não deve exceder a 85% do total máximo de água
disponível e nem ser inferior a 50%.
A necessidade
de água na cultura da soja vai aumentando com o desenvolvimento
da planta, atingindo o máximo durante a floração-enchimento
de grãos (7 a 8 mm/dia), decrescendo após esse período.
Déficits hídricos expressivos, durante a floração
e o enchimento de grãos, provocam alterações fisiológicas
na planta, como o fechamento estomático e o enrolamento de folhas
e, como conseqüência, causam a queda prematura de folhas
e de flores e abortamento de vagens, resultando, por fim, em redução
do rendimento de grãos.
A necessidade
total de água na cultura da soja, para obtenção
do máximo rendimento, varia entre 450 a 800 mm/ciclo, dependendo
das condições climáticas, do manejo da cultura
e da duração do ciclo.
Para minimizar
os efeitos do déficit hídrico, indica-se semear apenas
cultivares adaptadas à região e à condição
de solo; semear em época recomendada e de menor risco climático;
semear com adequada umidade em todo o perfil do solo; e adotar práticas
que favoreçam o armaze-namento de água pelo solo. A irrigação
é medida eficaz porém de custo elevado.
1.2. Exigências térmicas e fotoperiódicas
A soja melhor se adapta a temperaturas do ar entre 20oC e 30oC; a temperatura
ideal para seu crescimento e desenvolvimento está em torno de
30oC.
Sempre
que possível, a semeadura da soja não deve ser realizada
quando a temperatura do solo estiver abaixo de 20oC porque prejudica
a germinação e a emergência. A faixa de temperatura
do solo adequada para semeadura varia de 20oC a 30oC, sendo 25oC a temperatura
ideal para uma emergência rápida e uniforme.
O crescimento
vegetativo da soja é pequeno ou nulo a temperaturas menores ou
iguais a 10oC. Temperaturas acima de 40oC têm efeito adverso na
taxa de crescimento, provocam distúrbios na floração
e diminuem a capacidade de retenção de vagens. Esses problemas
se acentuam com a ocorrência de déficits hídricos.
A floração da soja somente é induzida quando ocorrem
temperaturas acima de 13oC. As diferenças de data de floração,
entre anos, apresentadas por uma cultivar semeada numa mesma época,
são devido às variações de temperatura.
Assim, a floração precoce ocorre, principalmente, em decorrência
de temperaturas mais altas, podendo acarretar diminuição
na altura de planta. Esse problema pode se agravar se, paralelamente,
houver insuficiência hídrica e/ou fotoperiódica
durante a fase de crescimento. Diferenças de data de floração
entre cultivares, numa mesma época de semeadura, são devido,
principalmente, à resposta diferencial das cultivares ao comprimento
do dia (fotoperíodo).
A maturação pode ser acelerada pela ocorrência de
altas temperaturas. Quando vêm associadas a períodos de
alta umidade, as altas temperaturas contribuem para diminuir a qualidade
da semente e, quando associadas a condições de baixa umidade,
predispõem a semente a danos mecânicos durante a colheita.
Temperaturas baixas na fase da colheita, associadas a período
chuvoso ou de alta umidade, podem provocar atraso na data de colheita,
bem como haste verde e retenção foliar.
A adaptação de diferentes cultivares a determinadas regiões
depende, além das exigências hídricas e térmicas,
de sua exigência fotoperiódica. A sensibilidade ao fotoperíodo
é característica variável entre cultivares, ou
seja, cada cultivar possui seu fotoperíodo crítico, acima
do qual o florescimento é atrasado. Por isso, a soja é
considerada planta de dia curto. Em função dessa característica,
a faixa de adaptabilidade de cada cultivar varia à medida que
se desloca em direção ao norte ou ao sul. Entretanto,
cultivares que apresentam a característica “período juvenil
longo” possuem adaptabilidade mais ampla, possibilitando sua utilização
em faixas mais abrangentes de latitudes (locais) e de épocas
de semeadura.