Embrapa Soja
Sistema de Produção, No 1.
Tecnologias de Produção de Soja
Paraná 2004

Autor(es)

Cultivo da Soja

A Soja no Brasil
Exigências Climáticas
Rotação de Culturas
Manejo do Solo
Correção e Manutenção da Fertilidade do Solo
Cultivares
Tecnologia de Semente e Colheita
Inoculação das Sementes com Bradyrhizobium
Instalação da Lavoura
Controle das Plantas Daninhas
Manejo de Insetos-Pragas
Doença e Medidas de Controle
Retenção Foliar e Haste Verde
Literatura Consultada

Manejo de Insetos-Pragas


A cultura da soja está, praticamente durante todo seu ciclo, sujeita ao ataque de insetos. Logo após a emergência, insetos como a “lagarta rosca” e a “broca do colo” podem atacar as plântulas. Posteriormente, a “lagarta da soja”, a “falsa medideira” e a “broca das axilas” atacam as plantas durante a fase vegetativa e, em alguns casos, até a floração. Com o início da fase reprodutiva, surgem os percevejos, que causam danos desde a formação das vagens até o final do desenvolvimento das sementes. Além destas, a soja é suscetível ao ataque de outras espécies de insetos, em geral menos importantes do que as referidas. Porém, quando atingem populações elevadas, capazes de causar perdas significativas no rendimento da cultura, essas espécies necessitam ser controladas.

10.1. Definição

Para o controle das principais pragas da soja, indica-se a utilização do “Manejo de Pragas”. É uma tecnologia que consiste, basicamente, de inspeções regulares à lavoura, verificando se o nível de ataque, com base na desfolha e no número e tamanho das pragas. Nos casos específicos de lagartas desfolhadoras e percevejos, as amostragens devem ser realizadas com um pano de batida, preferencialmente de cor branca, preso em duas varas, com 1 m de comprimento, o qual deve ser estendido entre duas fileiras de soja. As plantas da área compreendida pelo pano devem ser sacudidas vigorosamente sobre ele havendo, assim, a queda das pragas que deverão ser contadas. Este procedimento deve ser repetido em vários pontos da lavoura, considerando se, como resultado, a média de todos os pontos amostrados. No caso de lavouras com espaçamento reduzido entre as linhas, usar o pano batendo apenas as plantas de uma fileira. O controle deve ser executado somente quando forem atingidos os níveis críticos (Tabela 10.1).


10.2. Pragas principais

A lagarta da soja deve ser controlada quando forem encontradas, em média, 40 lagartas grandes por pano de batida ou se a desfolha atingir 30% antes do florescimento e 15% tão logo apareçam as primeiras flores. Utilizando-se o Baculovirus anticarsia, devem ser considerados outros índices citados em parágrafo posterior.

O controle de percevejos deve ser iniciado quando forem encontrados 4 percevejos adultos ou ninfas com mais de 0,5 cm por pano de batida e, para o caso de campos de produção de sementes, este nível deve ser reduzido para 2 percevejos/pano de batida.

Os produtos indicados para o controle das principais pragas anteriormente referidas encontram se nas Tabelas 10.2, 10.3 e 10.5. Na escolha do produto, deve se levar em consideração a sua toxicidade, efeitos sobre inimigos naturais e o custo por hectare.

Para o controle da lagarta da soja, Anticarsia gemmatalis, deve se dar preferência à utilização do vírus Baculovirus anticarsia, o qual pode ser usado também em aplicação aérea.

Nesse caso, pode se empregar a água como veículo, na quantidade de 15 l/ha. Caso a aplicação tenha início pela manhã, o preparo do material pode ser realizado durante a noite. Ajustar o ângulo da pá do “micronair” para 45 a 50 graus, estabelecer a largura da faixa de deposição em 18 m e voar a uma altura de 3 5 m, a 105 milhas/hora, com velocidade do vento não superior a 10 km/h (detalhes no folder “Controle da lagarta da soja por Baculovirus”, em Moscardi (1993) e em Gomez & Gazzoni 2000).

Ao se utilizar B. anticarsia devem ser consideradas 40 lagartas pequenas ou 30 lagartas pequenas e 10 lagartas grandes por pano de batida. Quando ocorrerem ataques da lagarta da soja no início do desenvolvimento da cultura (plantas até o estádio V4, com três folhas trifolioladas), e associados com períodos de seca, o controle da praga poderá ser realizado com outros produtos seletivos e indicados, visto que, nestas condições, poderá ocorrer desfolha que prejudicará o desenvolvimento das plantas.

No caso dos percevejos, em muitas situações, o seu controle pode ser efetuado apenas nas bordas da lavoura, sem necessidade de aplicação de inseticida na totalidade da área. Isto porque o ataque desses insetos inicia se pelas áreas marginais, aí ocorrendo as maiores populações. Para detectar essas infestações maiores nas bordas da lavoura é necessário fazer batidas de pano ao longo das mesmas, comparando-se os números de percevejos encontrados com os números de percevejos presentes na parte mais central da lavoura. Essas amostragens devem ser realizadas semanalmente, nas primeiras horas da manhã (até 10 horas), quando os insetos se localizam nas partes superiores das plantas e são mais facilmente visualizados. As vistorias para avaliar a ocorrência dos percevejos devem ser executadas do início de formação de vagens (R3) até a maturação fisiológica (R7). A simples observação visual não expressa a população real presente na lavoura.

Uma alternativa econômica de controle dos percevejos é a mistura de sal de cozinha (cloreto de sódio) com a metade da dose de qualquer um dos inseticidas indicados na Tabela 10.3 (ver observações no rodapé).

10.3. Outras pragas

A lagarta “falsa medideira” (ocorrendo sozinha ou associada com a lagarta da soja) deve ser controlada quando forem encontradas, em média, 40 lagartas grandes por pano-de-batida ou se a desfolha atingir 30% antes do florescimento e 15% tão logo apareçam as primeiras flores.

Para a broca das axilas, o nível crítico está em torno de 25% a 30% de plantas com ponteiros atacados.

No caso das lagartas das vagens, indica se a aplicação de inseticidas somente quando houver um ataque de, pelo menos, 10% das vagens das plantas, na média dos diferentes pontos de amostragem.

O controle dessas pragas pode ser feito com os inseticidas relacionados na Tabela 10.4.

Os tripes ocorrem em praticamente todo o estado e, em anos secos, geralmente em altas populações. Porém, por si só, o dano causado por esses insetos às plantas, em decorrência do processo de sua alimentação, não é problemático à soja. Assim, o controle químico desses insetos não se justifica. Embora vários produtos como acefato (400 g i.a./ha), malatiom (800 g i.a./ha) e metamidofós (450 g i.a./ha) sejam eficientes contra os tripes, em áreas onde a ocorrência da virose “queima do broto” é comum (região centro sul do Paraná), estes inseticidas não têm evitado a incidência e a disseminação da doença, mesmo quando aplicados várias vezes sobre a cultura.

Outro inseto que vem ocorrendo em lavouras de soja, principalmente onde é realizado o cultivo mínimo e a semeadura direta, é o “tamanduá da soja” ou “bicudo da soja”.

Os danos são causados, tanto pelos adultos, que raspam o caule e desfiam os tecidos, como pelas larvas, broqueando e provocando o surgimento de galha.
A rotação de culturas é a técnica mais eficiente para o manejo adequado do tamanduá-da-soja, mas sempre associada a outras estratégias, como plantas-iscas e controle químico na bordadura da lavoura. Nos locais em que, na safra anterior, foram observados ataques severos doinseto, antes de planejar o cultivo da safra de verão seguinte, deve ser avaliado o grau de infestação na entressafra, entre maio e setembro. Para cada 10 ha, devem ser retiradas quatro amostras de solo, centradas nas antigas fileiras de soja, com 1m de comprimento, e largura e profundidade de uma pá de corte. Após a observação cuidadosa da amostra, realizar a contagem do número de larvas hibernantes. Se, na média, forem encontradas de três a seis larvas/amostra, existe a possibilidade de, no mínimo, uma ou duas atingirem o estádio adulto, podendo causar uma quebra de sete a 14 sacas de soja por hectare, na safra seguinte. Nesse local, a soja deve ser substituída por uma espécie não hospedeira (por exemplo, milho, milheto, sorgo ou girassol), na qual o inseto não se alimenta e, conseqüentemente, interrompe o seu ciclo biológico.

Resultados de pesquisa mostraram que, no final do período de rotação soja-milho-soja, o percentual de plantas mortas e danificadas é significativamente menor, e a produtividade maior, quando comparado ao monocultivo soja-soja-soja. Adicionalmente, nas áreas com milho, existe a vantagem de se reduzir, drasticamente, a população de larvas hibernantes. Portanto, essa técnica é altamente indicada para sistemas equilibrados de produção de soja e essencial em áreas com ataques freqüentes da praga.

Entretanto, têm sido observados danos significativos, concentrados nas áreas onde a planta não-hospedeira limita com a soja (bordaduras), as quais servem com primeira fonte alimentar do inseto. Para evitar que ele infeste toda a lavoura de soja, as sementes podem ser tratadas com o inseticida fipronil e semeadas numa bordadura que deve medir entre 40 e 50 m de largura. O controle do inseto se justifica quando, no exame de plantas com duas folhas trifolioladas, for encontrado um adulto por metro de fileira, incluindo a face inferior das folhas e o caule. Com cinco folhas trifolioladas (próximo à floração), a soja tolera até dois adultos por metro linear. As pulverizações noturnas, entre as 22 h e as 2 h, são mais eficientes, pois a maioria dos adultos, neste período, encontra-se na parte superior das plantas, em acasalamento.

O complexo de corós é outro grupo de insetos que vem causando danos à soja no Paraná, especialmente na região centro-oeste, onde predomina a espécie Phyllophaga cuyabana. Os danos são causados pelas larvas, principalmente a partir do 2o ínstar, as quais consomem raízes. Os sintomas de ataque vão desde o amarelecimento das folhas e redução no crescimento da planta, até a morte de plantas, quando o ataque ocorre no início do desenvolvimento da lavoura.

O manejo de corós, em soja, deve ser baseado em um conjunto de medidas que
possam permitir a convivência da cultura com o inseto. O cultivo de milho ou outra cultura em safrinha nos talhões infestados por corós deve ser evitado, pois esta prática aumenta a população na safra seguinte. Na região centro-oeste do Paraná, a semeadura da soja em outubro, ou no início de novembro, pode evitar a sincronia dos estádios mais suscetíveis da cultura, com os ínstares mais vorazes das larvas, diminuindo, o potencial de danos à lavoura.

O controle químico só é viável quando a semeadura é feita na presença de larvas com mais de 1 cm. Entretanto, a proteção das plantas, em geral, é apenas inicial e, ainda, não há nenhum inseticida eficiente, registrado para esta finalidade, em soja. Os adultos são mais sensíveis a inseticidas do que as larvas, mas seu controle com produtos químicos também é difícil, em função do seu comportamento. A aração do solo nas horas mais quentes do dia, com implementos que atingem maior profundidade, pode diminuir a população de corós, através do dano mecânico às larvas, da sua exposição a aves e a outros predadores e do deslocamento de larvas em diapausa e pupas para camadas do solo mais superficiais. Porém, o revolvimento do solo em áreas de semeadura direta, única e exclusivamente com objetivo de controlar esse inseto, não é indicado. Qualquer medida que favoreça o desenvolvimento radicular da planta, como evitar a formação de camadas compactadas e corrigir a fertilidade e acidez do solo, também aumentará a tolerância da soja aos corós, assim como a insetos rizófagos em geral.

10.4. Manuseio de inseticidas e descarte de embalagens


* Utilizar inseticidas devidamente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para uso na cultura da soja e para a praga-alvo que deseja controlar. O número do registro consta no rótulo do produto.

* Usar equipamento de proteção individual (EPI) apropriado, em todas as etapas de manuseio de agrotóxicos (abastecimento do pulverizador, aplicação e lavagem de equipamentos e embalagens), a fim de evitar possíveis intoxicações.

* Não fazer mistura em tanque, de dois inseticidas, ou de inseticida (s) com outro (s) agrotóxico (s), procedimento proibido por lei (Instrução Normativa do MAPA nº 46, de julho de 2002).

* Evitar aplicações em dias ou em horários com ventos fortes, visando reduzir a deriva dos jatos, tornando mais eficiente a aplicação e reduzindo possíveis contaminações de áreas vizinhas.

* Observar o período de carência do produto (período compreendido entre a data da aplicação e a colheita da soja), principalmente no controle de pragas de final de ciclo da cultura (percevejos, por exemplo).

* Ler com atenção o rótulo e a bula do produto e seguir todas as orientações e os cuidados com o descarte das embalagens.

* Devolver as embalagens vazias (após a tríplice lavagem das embalagens de produtos líquidos), no prazo de um ano após a compra do produto, ao posto de recebimento indicado na nota fiscal de compra, conforme legislação do MAPA (Lei 9.974, de 06/06/2000 e Decreto 4.074, de 04/01/2002).

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