Embrapa Soja
Sistema de Produção, No 1.
Tecnologias de Produção de Soja
Paraná 2004

Cultivo da Soja

A Soja no Brasil
Exigências Climáticas
Rotação de Culturas
Manejo do Solo
Correção e Manutenção da Fertilidade do Solo
Cultivares
Tecnologia de Semente e Colheita
Inoculação das Sementes com Bradyrhizobium
Instalação da Lavoura
Controle das Plantas Daninhas
Manejo de Insetos-Pragas
Doença e Medidas de Controle
Retenção Foliar e Haste Verde
Literatura Consultada

Rotação de Culturas

 

2.1 Informações gerais

A rotação de culturas, processo de cultivo para a preservação ambiental, influi positivamente na recuperação, manutenção e melhoria dos recursos naturais. Esta viabiliza produtividades mais elevadas, com mínima alteração ambiental. Outras vantagens do uso contínuo da rotação de culturas é a de preservar ou melhorar as características físicas, químicas e biológicas do solo, além de auxiliar no controle de plantas daninhas, doenças e pragas. A rotação repõe restos orgânicos e protege o solo da ação dos agentes climáticos, ajuda a viabilização da semeadura direta e diversifica a produção agropecuária.

Neste capítulo são indicadas várias seqüência de culturas, objetivando compor sistemas de rotação com soja e trigo ou cevada, destinadas a explorações agrícolas com uma adequada adoção de tecnologias.

2.2 Conceito

A rotação de culturas consistem em alternar espécies vegetais, no correr do tempo, numa mesma área agrícola. As espécies escolhidas devem ter propósitos comercial e de manutenção ou recuperação do meio-ambiente.
Para a obtenção de máxima eficiência da capacidade produtiva do solo, o planejamento de rotação deve considerar, além das espécies comerciais, aquelas destinadas à cobertura do solo, que produzam grandes quantidades de biomassa, cultivadas quer em condição solteira ou em consórcio com culturas comerciais.


2.3. Planejamento da lavoura

O planejamento é imprescindível, pois as tecnologias a serem usadas devem ser praticadas em conjunto. Dentre as já à disposição dos agricultores, pode-se destacar:

* sistema regional de conservação do solo em microbacias;

* calagem e adubação;

* cobertura vegetal do solo;

* processos de cultivo: preparo do solo, época de semeadura, cultivares adaptadas, população de plantas e controle de plantas daninhas, pragas e doenças;

* semeadura direta;

* integração agropecuária; e

* silvicultura.

2.4 Escolha do sistema de rotação de culturas

O uso da rotação de culturas conduz à diversificação das atividades na propriedade, que pode ser exclusivamente de culturas anuais ou culturas anuais e pastagens, o que demanda planejamento da propriedade a médio ou mesmo a longo prazos. A escolha das culturas e do sistema de rotação deve ter flexibilidade, de modo a atender às particularidades regionais e as perspectivas de comercialização dos produtos.

2.5 Escolha da rotação de culturas

No Paraná, as seqüências de culturas indicadas para anteceder ou suceder à cultura principal, na composição de sistema de rotação com soja e trigo, estão relacionadas, em ordem de preferência, na Tabela 2.1. Estão relacionadas também as espécies que podem ser usadas em condições especiais. As espécies anotadas com restrição de cultivo devem ser evitadas.

Em áreas onde ocorre o cancro da haste da soja, além de outras medidas de controle, como o uso de cultivares resistentes à doença e tratamento de sementes, o guandu e o tremoço não devem ser cultivados antecedendo a soja. O guandu, apesar de não mostrar sintomas da doença durante o estádio vegetativo, reproduz o patógeno nos restos culturais. Além disso, após o consórcio milho/guandu, indicado para a recuperação de solos degradados, deve-se usar, sempre, cultivar de soja resistente ao cancro da haste. O tremoço é altamente suscetível ao cancro da haste.

2.6 Cobertura vegetal do solo

A escolha de espécies para cobertura vegetal do solo, quer como adubo verde, quer como cobertura morta, deve ser feita no sentido da produção de grande quantidade de biomassa. Além disso, deve-se dar preferência para plantas fixadoras de nitrogênio, com sistema radicular profundo ou abundante, promotoras de reciclagem de nutrientes, capazes de se nutrir com os fertilizantes residuais das culturas comerciais e que não sejam hospedeiras de pragas, doenças e nematóides ou apresentem efeito alelopático para as culturas comerciais.

No verão, são indicadas para cobertura verde: lab-lab, mucunas, guandu e crotalárias, em cultivo solteiro ou em consórcio com o milho.

Indica-se o uso do consórcio milho + guandu gigante ou milho + mucuna preta, em rotação com soja, somente para solos degradados, situados no norte e no centro-oeste do Paraná, nos quais as culturas comerciais apresentem baixos rendimentos, não sendo indicado para as demais zonas, especialmente as de clima mais frio. Esse sistema deve ser usado por, no máximo, duas safras. Após esse período, o sistema de rotação deve ser substituído por milho solteiro.

O milho deve ser precoce, semeado até o início de outubro. O guandu forrageiro deve ser semeado 25 a 35 dias após a semeadura do milho, utilizando semeadoura regulada no mesmo espaçamento da soja, em duas linhas, nas entrelinhas do milho, com densidade de 30 a 35 sementes por metro linear, para germinação de 70% a 75% e sempre internamente às linhas do milho. Nesse processo, a umidade do solo deve ser favorável à germinação, pois é o principal fator de sucesso do sistema. No cultivo do milho, como o solo fica com a superfície irregular, deve-se tomar cuidado na semeadura do guandu que, embora não exigindo semeadura profunda, necessita de boa cobertura da semente. Na semeadura direta do guandu, podem ser usados alguns modelos de plantadoras, exceto aquelas em que as linhas coincidem com as do milho e aquelas com rodas limitadoras de profundidade muito largas; neste caso, deve-se substituir por rodas de menor largura.

A mucuna preta é semeada manualmente, na prematuração do milho, no espaçamento indicado para o guandu e com densidade de semeadura de cinco sementes por metro linear.

A colheita do milho deve ser feita logo após a maturação, regulando a plataforma de corte da colhedora saca-espiga, o mais alto possível.
O manejo da cobertura vegetal do milho + guandu ou milho + mucuna deve ser feito em meados de abril, no norte, e em fins de abril, no centro-oeste do Paraná, a fim de possibilitar o cultivo de inverno. O guandu deve ser sempre manejado antes do início do florescimento. O rolo-faca tem sido muito eficiente no manejo dessas espécies, no sistema de semeadura direta.

O milheto em consórcio com guandu pode ser semeado no espaçamento de 34 cm, usando para cada 100 quilogramas de sementes, a mistura de 20 kg de milheto (20%) e 80 kg (80%) de guandu. Regular a semeadora para 22 a 27 sementes/metro linear de guandu. No caso de utilizar espaçamento diferente de 34 cm, deve-se fazer o cálculo da quantidade da mistura de sementes sempre pelo guandu, para cerca de 50 sementes/m2, mantendo as percentagens 80% para guandu e 20% para milheto.

O depósito da semeadora deve ser abastecido até a metade de cada vez, para evitar o acúmulo de sementes de tamanho menor (milheto) no fundo do depósito.

O girassol é outra alternativa interessante no sistema de rotação, principalmente por melhorar as condições físicas do solo. Mas deve ser cultivado com intervalo mínimo de três anos na mesma área, especialmente se forem constatadas as presenças de Sclerotinia sclerotiorum e/ou do nematóide na soja.

2.7 Planejamento da rotação de culturas

A rotação de culturas aumenta o nível de complexidade das tarefas na propriedade. Exige planejamento de uso do solo e da propriedade segundo princípios básicos, onde deve ser considerada a aptidão agrícola de cada gleba. A adoção do planejamento deve ser gradativa para não causar transtornos organizacionais ou econômicos ao produtor. A área destinada à implantação dos sistemas de rotação deve ser dividida em tantas glebas quantos forem os anos de rotação. Após essa definição, estabelecer o processo de implantação sucessivamente, ano após ano, nos diferentes talhões previamente determinados. Assim procedendo, os cultivos são feitos em faixas, constituindo-se também em processos de conservação do solo.

2.8 Indicação de rotação de culturas

Com a finalidade de buscar novo modelo agrícola, distante da sucessão trigo/soja, são indicados, a seguir, esquemas de rotação de culturas anuais que poderão ser exclusivos ou comporem sistemas de rotação com pastagem, visando a integração agropecuária (Tabela 2.2).

* Sistema A

Indicado para todo o Estado do Paraná. Esta modalidade permite ser utilizada em sistema de rotação de lavouras anuais e pastagens em semeadura direta.
O nabo forrageiro pode ser substituído por tremoço branco (norte), tremoço azul (centro-oeste), ervilhaca, consórcio nabo forrageiro + ervilhaca ou aveia branca + ervilhaca (centro-sul)
.A soja após aveia pode ser substituída por milho ou girassol.

Em regiões de menor incidência de helminthosporiose no sistema radicular do trigo (norte do Paraná), no sistema convencional de preparo do solo pode ser utilizado mais um ano de trigo/soja, dividindo-se a área a ser cultivada em cinco partes (talhões).

* Sistema B

Indicado para região norte do Estado do Paraná.

A aveia preta pode ser substituída por nabo forrageiro ou consórcio aveia preta e tremoço branco.

O girassol pode ser substituído por canola ou milho safrinha, na semeadura direta ou por pousio, no sistema de preparo do solo convencional.

No caso de adotar o pousio, o controle de plantas daninhas deverá ser feito com roçadoura ou rolo faca e não pelo uso de grade. O preparo do solo somente poderá ser feito próximo à semeadura da cultura de verão.

O girassol pode ser destinado à produção de grãos ou para adubação verde.
A soja, após girassol, pode ser substituída por milho, em todos os anos ou alguns deles.

* Sistema C

Indicado para as regiões norte e oeste do Estado do Paraná.

A canola pode ser substituída por milho safrinha, em todos os anos ou em alguns deles.

A soja, após canola pode ser substituída por milho em todos os anos ou em alguns deles.

O consórcio milheto+guandu pode ser substituído por trigo.

* Sistema D

Indicado para região norte do Estado do Paraná.

O girassol pode ser para produção de grãos ou para adubação verde.

O nabo forrageiro pode ser substituído por tremoço branco ou pelo consórcio com fileiras alternadas de aveia preta e tremoço branco.

O girassol pode ser substituído por canola ou milho safrinha, na semeadura direta, ou por pousio de inverno ou nabo forrageiro.

No caso de adotar o pousio, o controle de plantas daninhas deverá ser feito com roçadoura ou rolo faca e não pelo uso de grade. O preparo do solo somente deverá ser feito próximo à semeadura da cultura de verão.

O milho pode ser substituído por soja.

* Sistema E

Indicado para região norte do Estado do Paraná.

No pousio de inverno o controle de plantas daninhas deverá ser feito com roçadoura ou rolo faca e não pelo uso de grade. O preparo do solo somente deverá ser feito próximo da semeadura da cultura de verão. O pousio não é indicado para áreas com alta ocorrência de plantas daninhas na soja. O segundo trigo no sistema pode ser substituído por girassol.

Após o pousio, o milho pode ser substituído por soja, em todos os anos ou em alguns deles, nesse caso o pousio pode ser substituído por aveia preta ou consórcio aveia preta + tremoço branco.

O nabo forrageiro pode ser substituído por tremoço branco ou consórcio tremoço branco + aveia preta ou pousio.

* Sistema F

Indicado para as regiões norte e centro-oeste do Estado do Paraná.

Em lavouras infestadas com o cancro da haste, usar neste sistema cultivar de soja tolerante à doença.

O milho + guandu pode ser substituído por soja após aveia em todos os anos ou em alguns deles, por razão de ordem econômica.

O guandu pode ser substituído por mucuna, lab-lab ou crotalaria.

O guandu deve ser semeado 25 a 35 dias após a semeadura do milho.

O nabo forrageiro pode ser substituído por tremoço branco ou consórcio aveia preta + tremoço branco (norte) ou tremoço azul (centro-oeste).

* Sistema G

Indicado para as regiões norte e centro-oeste do Estado do Paraná.
Este sistema é especialmente indicado para áreas infestadas com o cancro da haste. Neste caso usar também cultivar de soja tolerante à moléstia.

* Sistema H

Indicado para as regiões norte, centro-oeste e oeste do Estado do Paraná.

O tremoço pode ser substituído por ervilhaca, nabo forrageiro ou chícharo.

No sistema de semeadura direta é preferível usar aveia preta.

Este esquema é preferido para áreas com alta incidência de helminthosporiose no sistema radicular do trigo.

* Sistema I

Indicado para região oeste do Estado do Paraná.

O lab-lab poderá ser substituído por mucuna preta, Crotalaria spectabilis ou girassol.

Este esquema é preferido para áreas com baixa ou sem ocorrência de helminthosporiose no sistema radicular do trigo.

* Sistema J

Indicado para região do Planalto Paranaense de Guarapuava.

A ervilhaca pode ser substituído por nabo forrageiro, consórcio nabo forrageiro + ervilhaca ou aveia branca + ervilhaca.

A aveia branca pode ser para produção de grãos ou para cobertura do solo.

O milho após aveia pode ser substituído por soja ou girassol em todos os anos ou em alguns deles.

O segundo trigo do sistema pode ser substituído por aveia branca para grãos.

No sistema de semeadura direta aveia branca pode ser substituída por aveia preta em lugar da aveia branca. Nesse caso, o milho não deve ser substituído por soja ou girassol.

* Sistema L

Indicado para região do Planalto Paranaense de Guarapuava.

O segundo trigo do sistema pode ser substituído por aveia branca para grãos.

A última cevada pode ser substituída por trigo.

O milho após aveia pode ser substituído por soja ou girassol, em todos os anos ou em alguns deles.

No sistema de semeadura direta aveia branca pode ser substituída por aveia preta. Nesse caso, o milho não deve ser substituído por soja ou girassol.

* Sistema M

Indicado para região do Planalto Paranaense de Guarapuava.

Este sistema é também indicado para semeadura direta no verão e preparo do solo no inverno.

A ervilhaca pode ser substituída por nabo forrageiro ou pelo consórcio nabo + ervilhaca ou aveia branca + ervilhaca.

* Sistema N

Indicado para região do Planalto Paranaense de Guarapuava.

Este sistema é também indicado para semeadura direta no verão e preparo do solo no inverno.

No caso do preparo (convencional) do solo, este deve ser alternado: escarificação, aração e grade pesada, isto é, não se deve repetir o mesmo tipo de implemento agrícola continuamente.

A ervilhaca pode ser substituída por nabo forrageiro ou consórcio nabo + ervilhaca ou aveia branca + ervilhaca.

O trigo pode ser substituído por aveia branca para grãos.

* Sistema O

Indicado para região do Planalto Paranaense de Guarapuava.

Este sistema é também indicado para semeadura direta no verão e preparo do solo no inverno.

A aveia branca para grãos pode ser substituída por aveia preta, ervilhaca, nabo forrageiro, consórcio nabo + ervilhaca ou aveia branca + ervilhaca.

* Sistema P

Indicado para região do Planalto Paranaense de Guarapuava.

O nabo forrageiro pode ser substituído por ervilhaca, consórcio nabo forrageiro + ervilhaca ou aveia branca + ervilhaca.

A primeira cevada pode ser substituída por aveia para cobertura do solo ou aveia branca para grãos.

A aveia após o milho pode ser para produção de grãos.

O último trigo pode ser substituído por aveia para cobertura. Nesse caso, usar nabo forrageiro antecedendo o milho.

Em áreas com ocorrência de Sclerotinia sclerotiorum na soja não devem ser feitas multilplicações de sementes de ervilhaca, nabo forrageiro ou tremoço, e para cobertura vegetal do solo essas espécies devem ser cultivadas com intervalos mínimos de três anos na mesma área.

* Sistema Q

Indicado para região do Planalto Paranaense de Guarapuava.

O consórcio milho+guandu, deve ser utilizado no máximo duas safras para recuperar o solo. Após esse período, deve ser substituído por milho solteiro.

O nabo forrageiro pode ser substituído por ervilhaca, consórcio nabo forrageiro + ervilhaca ou aveia branca + ervilhaca.

O guandu deve ser semeado de 25 a 35 dias após a semeadura do milho.

O consórcio milho+guandu, após aveia, pode ser substituído por soja.

A cevada pode ser substituído por trigo ou aveia branca para grãos.

O trigo pode ser substituído por aveia branca para grãos ou cobertura do solo.

2.9 Sugestões para rotação de culturas anuais e pastagem

A utilização de diversos tipos de culturas é o principal fundamento da rotação para aumentar a estabilidade produtiva e maximizar, economicamente, a atividade rural. As culturas anuais, destinadas à produção de grãos, associadas a outras espécies recuperadoras do solo, são condições básicas na condução de sistemas de produção. Dentre essas espécies, as forrageiras (anuais, semi-perenes e perenes) constituem fortes agentes biológicos recuperadores dos solos. Essa premissa leva a concluir que a atividade pecuária é uma forma eficiente para o manejo do ambiente rural. Deve-se ressaltar, no entanto, que áreas com pastagem também exigem manejo racional da fertilidade dos solos, para obter a máxima produção pecuária. Dessa forma, a utilização de fertilizantes, na condução de lavouras anuais, em sistemas de rotação com pastagens, pode ser o melhor modo para a re-adequação química dos solos destinados às espécies forrageiras.

2.9.1 Sistemas intensivos de integração agropecuária para solos argilosos

A degradação dos solos argilosos pelo o uso agrícola, pode estar ligada a múltiplos fatores, entre eles o manejo inadequado e pelo uso contínuo da monocultura, enquanto a degradação das pastagens pode estar ligada à nutrição de plantas. Nesse caso, a rotação com culturas anuais adubadas e pastagem podem ser indicadas para a re-adequação química do solo e a produção de grãos e forragens, importantes na integração agropecuária. São sugeridos quatro sistemas de rotação de culturas anuais e pastagem, dependendo da importância econômica de exploração dada pelo produtor (Tabelas 2.3, 2.4, 2.5 e 2.6).

2.9.2 Sistemas de integração agropecuária para solos arenosos e mistos

Os solos de textura média, em especial os situados no noroeste do Paraná, constituem-se num ambiente frágil, do ponto de vista agrícola, e, devido a isso, não são indicados para o cultivo da soja em monocultura, por apresentarem o grande inconveniente de favorecer os processos erosivos. Genericamente, nas condições desses solos pode-se cultivar pastagem, nos seguintes sistemas: a) exclusivo, b) misto com lavouras anuais, c) consorciado e d) silvopastoril.

Em condições de limitação de fertilidade do solo, a exploração de pastagem conduz à degradação do mesmo. Isso indica que, para tornar o ambiente sustentável, há necessidade do desenvolvimento de técnicas de recuperação da fertilidade do solo, para torná-lo apto ao desenvolvimento de pastagens. Assim, existem vários caminhos, entre eles o cultivo de culturas anuais adubadas, inclusive a soja. Nessas condições, devem ser implantadas, preferencialmente, em semeadura direta. Quando houver necessidade de abertura de área ocupada com pastagem, ela deve ser efetuada ao final do período das águas e práticas conservacionistas devem ser implantadas como parte do planejamento, utilizando espécies forrageiras de outono/inverno, para cobertura do solo. A implantação das culturas anuais de verão devem ser obrigatoriamente em semeadura direta.

Na constituição de sistemas com a soja, a título de sugestão, são apresentados dois modelos de rotação de pastagem e culturas anuais. O primeiro, constante da Tabela 2.7, é especialmente indicado para recuperação ou renovação de pastagens. O segundo, constante da Tabela 2.8, é indicado, principalmente, para os casos de parceria ou arrendamento rural.

Deve-se, também, observar:

a) a aveia preta implantada na primeira fase deve ser adubada e pode ser implantada no sistema mínimo ou convencional de preparo do solo;

b) o milheto solteiro, ou em consórcio com guandu, deve ser semeado até 10/03 e, precedido por milho precoce semeado até 10/10;

c) na soja, é imprescindível a utilização de inoculante; e

d) após o segundo cultivo de verão, é indispensável nova análise química do solo.

 

 

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